Sinal misterioso de 10 segundos do espaço profundo pode reescrever a história do cosmos
Um sinal de 10 segundos de origem ainda desconhecida foi detectado por dois satélites e aponta para um ponto a cerca de 13 bilhões de anos-luz de distância — aproximadamente 1,23 x 10^23 quilômetros. Esse fóco de energia provavelmente vem de uma explosão de supernova quando o universo tinha apenas 730 milhões de anos. Quanto mais distante algo está no espaço, mais tempo a luz precisa para chegar até nós; ver uma explosão tão antiga é como observar o passado com uma máquina do tempo. A explosão de alta energia que gerou esse sinal, batizada pelos cientistas de GRB 250314A, é um gamma-ray burst. Raios gamma são invisíveis e extremamente poderosos; representam a forma de radiação mais enérgica conhecida, produzida por explosões estelares massivas e que aparecem como rajadas muito brilhantes no nosso planeta. Os cientistas ainda não sabem por que essa antiga supernova parece quase idêntica às explosões de estrelas observadas no nosso universo próximo hoje. Se esta explosão for a fonte real do sinal, pesquisadores da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA) esperam que as primeiras estrelas fossem maiores, mais quentes e produzissem explosões muito mais voláteis do que o sinal misterioso sugere. O sinal foi primeiro identificado em 14 de março de 2025, quando o satélite Space Variable Objects Monitor (SVOM) detectou um flash súbito de luz de alta energia vindo do espaço profundo.
GRB 250314A: o que é e por que importa
O sinal registrado foi um curto e poderoso surto de raios gama — ondas de energia invisíveis, mais fortes que raios-X e capazes de atravessar o corpo humano. Vindo de uma explosão de estrela localizada a 13 bilhões de anos-luz da Terra, os raios gamma que alcançaram o nosso planeta foram suficientemente fracos para não representar qualquer perigo. Esse surto durou apenas cerca de 10 segundos, porque rajadas de raios gama são como fogos de artifício cósmicos extremamente rápidos, liberando uma enorme quantidade de energia em um curto espaço de tempo antes de se apagarem. Diferente de ruído cósmico ou de estática de fundo, esses raios-gama aparecem como feixes super-brilhantes com um padrão único que os satélites são programados para reconhecer. A confirmação da descoberta veio cerca de três meses e meio depois, no verão de 2025, quando o telescópio espacial James Webb (JWST) realizou imagens detalhadas e medições do brilho da explosão, que ainda podia ser visto no espaço. "Somente o Webb poderia mostrar diretamente que essa luz vem de uma supernova — uma estrela maciça em colapso," acrescentou o professor Levan em uma declaração da NASA. Outras fontes de ruído cósmico misterioso como este podem incluir erupções solares ou raios cósmicos, mas explosões de raios gama são muito mais raras e decorrem de eventos massivos, como explosões estelares, que os cientistas conseguem rastrear bilhões de anos após sua ocorrência. Levan acrescentou que o JWST é tão avançado que os cientistas acreditam que ele será capaz de encontrar mais sinais de quando o universo tinha apenas cinco por cento de sua idade atual, o que corresponde aproximadamente a 14 bilhões de anos. Até aqui, os cientistas sabem muito pouco sobre os primeiros bilhões de anos do universo, o que se passava no espaço nessa época ou como as estrelas se comportavam e morriam ao longo do cosmos. No entanto, em dezembro de 2025, novos estudos publicados na Astronomy & Astrophysics analisaram observações detalhadas feitas pelo Webb Telescope e constataram que essa supernova, ocorrida 730 milhões de anos após o Big Bang, apresentava a mesma luminosidade e assinatura de radiação que explosões estelares ocorridas bilhões de anos depois. Nial Tanvir, professor da Universidade de Leicester, Reino Unido, comentou: 'Webb showed that this supernova looks exactly like modern supernovae.'
JWST confirma a explosão e abre caminho para novas descobertas
A descoberta foi confirmada pelo telescópio espacial James Webb (JWST) cerca de três meses e meio depois, durante o verão de 2025, com imagens detalhadas e medições do brilho da explosão, que ainda poderia ser observada no espaço. "Only Webb could directly show that this light is from a supernova — a collapsing massive star," acrescentou o professor Levan em uma declaração da NASA. Outras fontes de ruído cósmico, como erupções solares ou raios cósmicos, podem existir, mas explosões de raios gama são bem mais raras e decorrem de eventos estelares maciços que os cientistas conseguem rastrear bilhões de anos após a ocorrência. Levan também afirmou que o JWST é tão avançado que os cientistas acreditam que ele conseguirá encontrar mais sinais da época em que o universo tinha apenas cinco por cento de sua idade atual, cerca de 14 bilhões de anos. Nial Tanvir, da Universidade de Leicester, comentou: 'Webb showed that this supernova looks exactly like modern supernovae.'