No Image x 0.00 + POST No Image

Saída de emergência estava sempre trancada afirma garçom em meio à investigação sobre o inferno mortal num resort suíço

SHARE
0

Uma investigação criminal foi aberta ontem contra os proprietários franceses do bar Le Constellation, no resort alpino Crans–Montana, sob suspeita de homicídio por negligência, lesões corporais e incêndio criminoso, depois que um fogo devastador ceifou 40 vidas e feriu 119 pessoas. O inferno irrompeu no porão do bar quando sparklers em garrafas de champanhe incendiaram o teto coberto com espuma isolante. Imagens perturbadoras mostraram os revellers, muitos entre eles adolescentes, a continuar a festa enquanto as chamas se alastravam, perdendo segundos cruciais para fugir. O local foi apelidado de uma "armadilha mortal" depois de ter emergido que os partygoers se comprimiam numa escadaria estreita para escapar das chamas e da fumaça tóxica no piso inferior. Mas, numa virada importante, foi ontem alegadamente divulgado que existia outra possível rota de fuga, através de uma saída de emergência no porão – embora alegadamente sempre trancada. Andrea, 31 anos, uma barman que trabalha noutro lugar na estância mas era cliente regular do Le Constellation, disse: "Havia uma entrada que também servia como saída. E havia uma saída de emergência. Mas sempre que eu estive lá, estava sempre trancada." "Todos na cidade sabiam que as coisas estavam destinadas a correr mal, eventualmente." A saída de emergência ficava numa sala separada de fumos. Dificilmente alguém a usava; a maioria subia para o conservatório. A sala de fumos era usada como uma espécie de armazém. Havia um sofá dentro diante da porta, e objetos descartados ficavam do lado de fora. Fotografia: Chiara Costanzo, 16 anos, de Milão, Itália, foi identificada como segunda vítima. Um memorial improvisado à frente do Le Constellation. Outra testemunha, Grigori, que estava a caminho do bar quando o fogo irrompeu, disse: "Há outra saída, mas eu acho que a estavam a trancar porque algumas pessoas estavam a escapar sem pagar." O Mail on Sunday identificou também uma terceira saída no rés-do-chão do bar, que dava para uma zona de compras coberta que inclui uma loja de aluguer de esquis. Contudo, qualquer pessoa que utilisasse essa saída teria ainda de passar por outra porta de vidro para escapar para a rua. Não se sabe se alguma dessas portas estava aberta ou fechada quando o fogo começou às 01h30. Imagem: Chiara Costanzo, de 16 anos, de Milão, Itália, foi identificada como segunda vítima. Memorial improvisado junto ao Le Constellation.

Saída de emergência estava sempre trancada afirma garçom em meio à investigação sobre o inferno mortal num resort suíço

Incêndio no porão do Le Constellation: 40 mortos e 119 feridos num resort alpino

Hoje surgiu um novo capítulo desta tragédia: Andrea, 31, o pai da jovem Chiara Costanzo, afirmou que houve uma saída de emergência no porão que ficou trancada, o que pode ter entravado as tentativas de fuga. O fogo começou no porão do bar Le Constellation quando sparklers em garrafas de champanhe incendiaram o tecto coberto com espuma isolante. Chiara Costanzo, 16 anos, de Milão, Itália, foi identificada como segunda vítima. O pai, Andrea Costanzo, disse ao jornal italiano que se sentia "um vazio enorme" após receber a chamada que "nunca devia ter chegado a um pai": "Até ao fim, esperámos que Chiara estivesse entre os feridos admitidos no hospital, mas ainda não identificados", disse ele. "Depois, sem aviso, o mundo desaba. Não estás preparado. Não podes ser." "É natural para um pai perder uma filha. Gostaria que ela não fosse apenas um nome numa lista de vítimas. Porque ela nunca foi um número. Ela era uma filha amada." Nos primeiros dias, a Itália identificou Emanuele Galeppini, 17 anos, golfista prodígio, como a primeira vítima confirmada. A Federação Italiana de Golfe confirmou no sexta-feira a morte do jovem. As autoridades suíças indicaram que oito vítimas suíças já foram identificadas e os seus corpos devolvidos às famílias — são quatro mulheres e quatro homens, incluindo dois adolescentes de 16 anos. No entanto, dezenas de famílias continuam a enfrentar uma espera angustiante enquanto peritos tentam identificar as restantes 30 vítimas e cinco dos feridos mais gravemente feridos. Fotografia: a entrada do Le Constellation, onde o fogo irrompeu durante as celebrações da Passagem de Ano, na estância alpina de Crans–Montana.

Incêndio no porão do Le Constellation: 40 mortos e 119 feridos num resort alpino

Sob pressão permanece a investigação e surgem saídas de emergência alternativas e perguntas sem resposta

O debate sobre saídas de emergência, portas de vidro e rotas de fuga levou a novas perguntas sobre a maneira como o espaço foi desenhado e gerido. A polícia indicou que oito vítimas suíças foram identificadas, e que as autoridades continuam a identificar, com mais de 30 pessoas ainda dadas como desaparecidas e cinco dos feridos entre os mais graves. Humidity de relatos divulga que havia uma outra saída, no porão, que se manteve fechada, e que uma segunda saída no rés-do-chão liga a uma zona de compras coberta, incluindo uma loja de aluguer de esquis. A dúvida permanece: estaria algum destas portas aberto ou fechado quando o fogo começou às 01h30? Stephane Ganzer, conselheiro de Estado responsável pelo Departamento de Segurança, disse que a identificação das vítimas é uma prioridade máxima, reconhecendo a frustração das famílias em meio à espera. O proprietário Jacques Moretti — que apareceu pela primeira vez desde a tragédia, ontem, perto de um restaurante que possui na vila vizinha de Lens — recusou responder a perguntas do Mail on Sunday. Entretanto, na edição de ontem do programa ITV The Masked Singer, foi abandonada a atuação da canção Disco Inferno, que apresentava dançarinos com fatos de fogo, "devido a sensibilidades potenciais".

Sob pressão permanece a investigação e surgem saídas de emergência alternativas e perguntas sem resposta

Vítimas identificadas, famílias à espera e o luto que se prolonga

Entre os nomes confirmados, destacam-se a brasileira Charlotte Niddam, de 15 anos, cuja família é de França, e as palavras de seres queridos que aguardam por notícias. Elvira Venturella, psicóloga italiana que trabalha com as famílias das vítimas, descreveu a situação: "É uma espera que destrói a estabilidade das pessoas". Entre os desaparecidos está ainda Charlotte Niddam, 15, nascida em França, que frequentava o Immanuel College, uma escola judaica privada em Hertfordshire, e a Jewish Free School no norte de Londres. Uma das amigas de Chiara, Summer Chesler, publicou ontem uma montagem de vídeo com a legenda: "I miss my best friend". Outra amiga, Sophie, partilhou um vídeo TikTok com a legenda: "My heart has broken. Please come home Charlotte, we are all waiting for you." O jovem Arthur Brodard, 16 anos, também continua desaparecido. A mãe Laetitia, de Lausanne, Suíça, disse: "Existem cinco pessoas não identificadas no hospital [mas] as autoridades recusam dizer onde se encontram, em que país, em que cantão. A revolta está a crescer. Existem mais de 30 pais à procura dos nossos filhos." Stephane Ganzer, conselheiro do cantão em matéria de Segurança, afirmou que a identificação das vítimas é uma prioridade máxima, reconhecendo a espera insuportável das famílias. Mais tarde, o proprietário Jacques Moretti apareceu pela primeira vez desde a tragédia, perto de um restaurante que possui na vila de Lens. Recusou responder a perguntas do Mail on Sunday. Na noite de ontem, o episódio do programa The Masked Singer da ITV foi encurtado, com a canção Disco Inferno suprimida devido a sensibilidade.

Vítimas identificadas, famílias à espera e o luto que se prolonga