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O regime iraniano está à beira do colapso? Multidões gritam 'morte ao ditador' enquanto protestos se espalham pelo país e Trump avisa que serão 'atingidos com força' se matarem manifestantes

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O Irã enfrenta os seus maiores protestos em anos. Vídeos partilhados nas redes sociais mostram grandes manifestações contra o regime islâmico de linha dura em Teerã e noutras cidades do país. O movimento começou em Teerã no fim de dezembro, após o rial iraniano ter atingido mínimos históricos, e espalhou-se rapidamente pelo território, com grandes demonstrações em 348 cidades e vilas de todas as 31 províncias. O regime, já abalado por uma crise económica alimentada por sanções internacionais e pela recuperação da guerra contra Israel, enfrenta a maior contestação que já viu nos últimos anos. Trump ameaçou ontem tomar medidas severas contra o Irã se as autoridades 'começarem a matar pessoas', alertando que Washington as 'atingiria muito duramente'.

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Protestos sem precedentes varrem 348 cidades em todas as províncias

Os protestos, que se espalharam de Teerã a cidades de todo o Irã, atingem agora 348 localidades em todas as 31 províncias. O movimento começou em Teerã no final de dezembro, depois de o rial ter atingido mínimos históricos, e espalhou-se rapidamente pelo país, com grandes demonstrações em várias cidades além de Teerã. As ruas seguem cheias, apesar do corte de internet e da repressão, e os manifestantes exibem slogans desafiadores contra a liderança clerical. O regime continua sob pressão internacional e interna, com relatos de violência e detenções crescentes.

Protestos sem precedentes varrem 348 cidades em todas as províncias

Khamenei reage: não vai recuar e chama manifestantes de vândalos e saboteurs

Falando aos apoiadores, nos seus primeiros comentários sobre o alastrar dos protestos desde 3 de janeiro, o Ayatollah Ali Khamenei disse que as mãos de Trump 'estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos' e previu que o líder dos EUA, considerado 'arrogante', seria 'derrubado' como a dinastia imperial que governou o Irã até à revolução de 1979. O regime, porém, mantém a firmeza: 'não vou recuar' da repressão aos manifestantes, a quem descreveu como 'vândalos' e 'saboteurs', num discurso transmitido pela televisão estatal.

Khamenei reage: não vai recuar e chama manifestantes de vândalos e saboteurs

Números de vítimas, prisões e violência sob investigação

Segundo a organização Iran Human Rights, as forças de segurança iranianas tinham assassinado pelo menos 45 pessoas, incluindo oito crianças, desde o início dos protestos. Acrescentou que quarta-feira foi o dia mais sangrento, com 13 manifestantes mortos num único dia. 'A evidência mostra que o alcance da repressão está a tornar-se mais violento e mais extenso a cada dia', disse Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da IHR, acrescentando que centenas mais ficaram feridos e mais de 2.000 foram detidos. A imprensa iraniana e declarações oficiais relataram pelo menos 21 mortos, incluindo membros das forças de segurança, desde o início do tumulto.

Números de vítimas, prisões e violência sob investigação

Internet em blackout e perguntas à comunidade internacional

À medida que os protestos continuam, a organização de monitorização Netblocks afirmou que 'as métricas em direto mostram que o Irão está agora no meio de um apagão de internet em todo o país'. A situação digital complica a divulgação de informações e a coordenação entre manifestantes em todo o território. Specialists do Médio Oriente também alertam para as possibilidades de mudança, com as velhas estratégias de repressão a serem testadas pela primeira vez em décadas.

Internet em blackout e perguntas à comunidade internacional

Lideranças exiladas e especialistas pedem ação internacional

Reza Pahlavi, filho do xá deposto pela revolução de 1979 e figura de oposição exilada, pediu mais protestos na quinta-feira. Iraq-based Iranian Kurdish opposition parties called for a general strike na quinta-feira nas áreas de maioria curda no oeste do Irã. 'Should the international community step up for Iran's protesters?' questiona a cobertura. Num vídeo verificado pela AFP, manifestantes em Kuhchenar, na província de Fars, no sul, foram vistos a aplaudir enquanto derrubavam a estátua do antigo comandante das operações estrangeiras da Guarda Revolucionária, Qasem Soleimani, morto num ataque dos EUA em janeiro de 2020.

Lideranças exiladas e especialistas pedem ação internacional

Protestos chegam à educação superior e derrubam símbolos

Os protestos atingiram também as universidades: final exams na conceituada Amir Kabir University, em Teerã, foram adiados por uma semana, segundo a ISNA. Demonstradores repetem consignas contra a liderança clerical, incluindo 'Pahlavi will return' e 'Seyyed Ali will be toppled', numa referência direta a Khamenei. A Hengaw reporta que a mobilização atingiu cerca de 30 cidades, com lojas fechadas na região ocidental (Ilam, Kermanshah e Lorestan) e acusa autoridades de disparar contra manifestantes em Kermanshah e Kamyaran, ferindo vários.

Protestos chegam à educação superior e derrubam símbolos

Regime sob críticas por táticas de repressão; ataques a hospitais e proteção de civis

Relatórios de direitos humanos indicam que autoridades têm utilizado táticas de repressão, incluindo ações em hospitais para deter feridos. 'As forças de segurança iranianas têm ferido e morto tanto manifestantes como transeuntes', disse a Amnistia Internacional, acusando o governo de usar força 'ilegal'. A alta administração pública também pediu contenção, com o Presidente Masoud Pezeshkian a sublinhar a necessidade de 'maior contenção' e de evitar qualquer conduta violenta ou coercitiva. O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, condenou o 'excesso de uso de força' contra os manifestantes.

Regime sob críticas por táticas de repressão; ataques a hospitais e proteção de civis

Contexto histórico e chamada à ação internacional

As manifestações são as maiores desde o ciclo de protestos de 2022-2023, desencadeado pela morte de Mahsa Amini, detida por alegadas violações do código de vestuário. Grupos de direitos humanos também acusam as autoridades de recorrer a táticas como cortar circulação de informação, procurar feridos nos hospitais e prender manifestantes. O debate internacional cresce: 'A comunidade internacional deveria agir para apoiar os manifestantes do Irã?'

Contexto histórico e chamada à ação internacional