Nova evidência revela que a Grande Pirâmide foi construída por dentro para fora com polias ocultas
A construção da Grande Pirâmide do Egito há muito intriga arqueólogos, sem que haja textos antigos sobreviventes que expliquem como seus maciços blocos de pedra foram içados e montados tão rapidamente. As teorias tradicionais baseiam-se em rampas e numa construção lenta por camadas, mas não conseguem explicar como blocos que pesam até 60 toneladas foram erguidos a centenas de metros de altura em apenas duas décadas. Agora, um novo estudo propõe que a pirâmide foi construída com um sistema interno de contrapesos e mecanismos parecidos com polias, escondidos dentro da própria estrutura.
In This Article:
- Concepção revolucionária: contrapesos internos permitiram içar blocos a ritmo surpreendente
- Construção interna e o papel das câmaras: sinais de uma obra que cresce a partir do núcleo
- Disposição interna, assimetria e explicações para o exterior
- Predições, testes e o que resta descobrir
- Contexto histórico e uma pergunta final
Concepção revolucionária: contrapesos internos permitiram içar blocos a ritmo surpreendente
Na pesquisa publicada na Nature, o Dr. Simon Andreas Scheuring, da Weill Cornell Medicine em Nova York, calculou que os construtores podiam içar e colocar blocos maciços a um ritmo assombroso, às vezes tão rápido quanto um bloco por minuto. Ele argumentou que isso só seria possível com contrapesos deslizantes, em vez de içamento por força bruta, gerando a energia necessária para elevar as pedras aos níveis superiores da Pirâmide de Quéops. O estudo também aponta características arquitetônicas no interior que apóiam esse modelo, identificando a Grande Galeria e a Passagem Ascendente como rampas inclinadas onde contrapesos poderiam ter sido liberados para criar uma força de elevação. A Antessala, há muito considerada uma característica de segurança destinada a impedir o saque de tumbas, é reinterpretada como um mecanismo semelhante a uma polia que poderia ajudar a içar até mesmo os blocos mais pesados.
Construção interna e o papel das câmaras: sinais de uma obra que cresce a partir do núcleo
Se for verdade, o estudo sugere que a Grande Pirâmide foi construída de dentro para fora, começando a partir de um núcleo interno e usando sistemas de polias ocultos para erguer as pedras à medida que a estrutura crescia. Ranhuras cortadas nos seus corredores, marcas de desgaste e superfícies polidas ao longo da Grande Galeria são interpretadas como evidência de que grandes trenós se moviam repetidamente ao longo de seu comprimento, sugerindo esforço mecânico consistente com cargas deslizantes em vez de tráfego de peões ou uso ritual. O estudo também oferece uma nova explicação para a Antessala, um pequeno recinto de granito logo antes da Câmara do Rei. Tradicionalmente pensada como um dispositivo de segurança para impedir ladrões de tumbas, a Antessala é reimaginada como uma estação de içamento com uma função de polia. Se for verdade, a pirâmide foi construída de dentro para fora, começando por um núcleo interno e usando sistemas de polias ocultos para erguer as pedras conforme a estrutura crescia. Ranhuras cortadas em suas paredes de granito, apoios que podem ter sustentado vigas de madeira, e uma execução incomummente áspera apontam para uma máquina funcional, não para uma sala cerimonial acabada. Na reconstrução de Scheuring, cordas teriam passado por troncos de madeira inseridos na Antessala, permitindo aos trabalhadores içar pedras de até 60 toneladas. O sistema poderia ser ajustado para aumentar a força de içamento quando necessário, de modo semelhante a mudar de marchas. Ranhuras de corda excessivamente largas e um piso irregular e incrustado sugerem que a Antessala já esteve conectada a um eixo vertical que foi selado após a conclusão da construção.
Disposição interna, assimetria e explicações para o exterior
Mais além das câmaras individuais, Scheuring argumenta que o layout interno da pirâmide reflete compromissos de engenharia, não desenho simbólico. As principais câmaras e passagens concentram-se perto de um eixo vertical comum, mas estão deslocadas, não centradas. A Câmara da Rainha, por exemplo, está centrada norte-sul, mas não leste-oeste, enquanto a Câmara do Rei fica visivelmente ao sul do eixo central da pirâmide. Tais irregularidades são difíceis de explicar se a pirâmide fosse construída de baixo para cima, com rampas externas perfeitas. Num modelo tradicional, os construtores poderiam colocar câmaras onde quisessem, com simetria perfeita. Em vez disso, os deslocamentos sugerem que os construtores trabalharam em função das limitações mecânicas impostas pelos sistemas de içamento internos.
Predições, testes e o que resta descobrir
O modelo faz previsões testáveis, sugerindo que não existem grandes câmaras não descobertas permanecendo no interior do núcleo da pirâmide, uma ideia apoiada por recentes varreduras por múons. No entanto, pequenos corredores ou vestígios de rampas internas podem ainda existir em partes exteriores da estrutura, especialmente em partes mais altas. Se futuras descobertas apoiarem a proposta de Scheuring, ela poderia reformular a forma como os arqueólogos entendem não apenas a Grande Pirâmide, mas também a construção de pirâmides no antigo Egito.
Contexto histórico e uma pergunta final
A Grande Pirâmide de Gizé, a mais antiga e maior das pirâmides de Gizé, foi construída como tumba para o faraó Quéops por volta de 2560 a.C., cerca de 4.585 anos atrás. O faraó não teve a sua múmia nem tesouros encontrados; a pirâmide manteve-se como a estrutura mais alta do mundo durante milênios e continua a ser uma das Sete Maravilhas Antigas ainda amplamente intacta. Você acredita nesta nova teoria sobre a Grande Pirâmide?