Ele caminha pelo mundo há 27 anos e aprendeu que a verdadeira felicidade vive nas relações
Karl Bushby tinha 29 anos quando deixou Hull, na Inglaterra, e partiu para a aventura da vida. Com 500 dólares no bolso e algum equipamento de sobrevivência, começou uma missão que ninguém na história tinha tentado: caminhar sem interrupções ao redor do mundo. A expedição, batizada de Goliath Expedition, começou em 1998 em Punta Arenas, Chile, uma cidade perto da ponta sul da América do Sul. Ela levou-o através de continentes, incluindo as Américas, a Ásia e a Europa, até chegar ao objetivo final de regressar ao Reino Unido. “O objetivo era simplesmente chegar a casa sem depender de qualquer meio de transporte,” Bushby disse à CNBC Make It. “Ao longo da jornada, Bushby seguiu duas regras: ele só pode caminhar ou nadar, sem assistência de qualquer forma de transporte, e não pode retornar a Hull, Inglaterra, até chegar inteiramente a pé.” “Pareciam duas regras simples nos primeiros dias, mas, quando essas duas regras se deparam com a realidade do mundo real, as coisas podem ficar bastante complicadas, especialmente [com] vistos e governos difíceis e regimes e algumas das fronteiras controversas que [eu] tive de atravessar,” disse ele. “Depois de caminhar cerca de 30 quilômetros por dia, com contratempos inesperados, Bushby chegou à Europa e diz que pretende completar a jornada e regressar a Inglaterra no próximo ano,” disse ao CNBC Make It. “Bushby tem sido sempre um aventureiro. Diz que costumava explorar o dia todo com o irmão antes de voltar para casa para o jantar. Crescido numa família militar, foi inspirado pelo seu pai que serviu no exército britânico. Bushby também entrou no exército aos 16 anos e serviu no regimento de paraquedistas durante cerca de 12 anos antes de iniciar a sua expedição. “Em determinado ponto da sua carreira no exército britânico, fiquei entediado. Passei 12 anos no exército britânico à espera de ir para algum lugar para onde, na prática, nunca fomos, para além da Irlanda do Norte. Vivíamos num dos períodos mais pacíficos da história,” disse ele. “Então ficámos entediados e cansados e tornámo-nos maravilhados e travessos. Em certo ponto, comecei a desenhar linhas nos mapas e a sonhar com grandes distâncias e horizontes distantes, e uma coisa levou à outra.” “Um dia, Bushby desenhou uma linha a partir do Reino Unido atravessando a Europa e a Ásia, passando pela Sibéria, pelo Estreito de Bering, entrando na América do Norte e indo até ao extremo sul da América do Sul.” “Uma vez que coloquei isso num mapa, não houve volta … Os pelos da nuca ficavam eriçados,” disse ele. “Assim, em 1998, Bushby deixou o exército britânico para iniciar a longa jornada. Ele embarcou num voo militar do Reino Unido para as Ilhas Falkland, depois num voo civil para Punta Arenas, Chile, que foi o ponto de partida da expedição. “Aquele primeiro dia em que você pisa na estrada é memorável, porque nesse momento você está longe de casa. Você queimou todas as pontes. Dizeram a todos que preferiam morrer a voltar para casa,” disse Bushby. “Você tem cerca de 500 dólares no bolso, sem apoio, sem ideia de como tudo vai funcionar, apenas fé absoluta de que pode de alguma forma fazê-lo funcionar. E você está numa estrada com cerca de 57 936 quilômetros de extensão, com muito pouca ideia do que está por vir. Quero dizer… você está mais longe do que uma missão humana a Júpiter nesse momento,” disse ele.
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As duas regras que guiaram a maior expedição da história e quase romperam tudo
A jornada de Bushby, apelidada de Goliath Expedition, tem sido definida por duas regras simples que, na prática, tornaram-se o eixo de tudo. “Durante a viagem, Bushby seguiu duas regras: ele só pode caminhar ou nadar, sem assistência de qualquer forma de transporte, e não pode retornar a Hull, Inglaterra, até chegar inteiramente a pé.” “Essas pareciam duas regras simples desde os primeiros dias, mas, quando essas duas regras se deparam com a realidade do mundo real, as coisas podem ficar bastante complicadas, especialmente [com] vistos e governos difíceis e regimes e algumas das fronteiras controversas que [eu] tive de atravessar,” disse ele. Depois de caminhar cerca de 30 quilômetros por dia, com contratempos, Bushby chegou a Europa e espera completar a jornada e regressar a Inglaterra no próximo ano. “Isso não foi uma viagem sem problemas. As regras criaram situações em que tive de lidar com fronteiras políticas, vistos, governos difíceis e regimes.” Ele reforça também que o início foi marcado por um momento claro: “Aquele primeiro dia em que você pisa na estrada é memorável, porque você está longe de casa. Queimou todas as pontes.” A cada passo, ele enfrentou uma longa estrada, com cerca de 57.936 quilômetros pela frente, e reconhece que “o caminho foi longo e cheio de surpresas.”
Entre perigos, fome e a humanidade que surpreende
Ao longo de 27 anos, Bushby cruzou áreas perigosas, enfrentou detenções, quedas de temperatura e momentos de fome. Entre os marcos, destacam-se o atravessamento do Darien Gap, detenções pelas autoridades russas, prisão no Panamá, quase congelamento no Alasca e a travessia do Mar Cáspio em um período de 31 dias. “ A psicologia da fome é interessante. Não é algo a que a maioria de nós esteja realmente habituada. Quando você não sabe de onde virá a próxima refeição, você fica obcecado em encontrar algo para comer,” disse Bushby. “Você acaba correndo por aí, perseguindo alucinações na maior parte do tempo,” disse ele. Apesar de todos os desafios, uma das maiores lições não foi sobre dor física, mas sobre a felicidade que nasce das relações. “Se me perguntassem qual foi a coisa mais difícil que fiz nos últimos 27 anos — sem dúvida, é perder as mulheres de quem você se apaixona… O físico é fácil, o sofrimento é diferente,” disse Bushby. “Os momentos mais felizes foram quando eu estava nesses relacionamentos. Quando você está com alguém.” Ele também aprendeu que as pessoas costumam ser muito gentis, em todas as culturas. Muitas vezes, foi acolhido e alimentado por estranhos que não pediram nada em troca. “Você nem fala a mesma língua, então é apenas sorrisos e acenos, e eles te mandam seguir em frente… É uma história atrás da outra, em todas as culturas, em todos os países,” afirmou. “Este mundo é bem mais acolhedor e simpático do que parece.” Para completar, ele observa que as fronteiras da humanidade se tornam mais abertas quando há bondade. Em linguagem de despedida, ele acrescenta: “Este mundo é bem mais amigável do que pode parecer.” Quer dar aos seus filhos a vantagem final? Inscreva-se no novo curso online da CNBC, Como Criar Crianças Financeiramente Inteligentes. Aprenda a construir hábitos financeiros saudáveis hoje para preparar as suas crianças para um maior sucesso no futuro.
A maior lição sobre felicidade: pessoas antes de tudo
É impossível não ouvir que, ao longo da jornada de 27 anos, a maior lição não foi sobre dor ou resistência física, mas sobre a importância das relações. “O mais difícil foi perder as mulheres de quem você se apaixona,” ele diz. “Mas as pessoas ao redor — sempre — mostraram bondade. O mundo é muito mais amigo e generoso do que parece.” “Os momentos mais felizes foram quando estava nesses relacionamentos. Quando você está com alguém.” Bushby reforça que a gentileza está ao virar da esquina, não importa a cultura ou o país. “Você não precisa falar a mesma língua para que haja compreensão entre as pessoas,” disse. Ele acrescenta que “Este mundo é hell de a lot friendlier and nicer than it might appear.” Este texto encerra com uma nota prática: para quem quiser, a CNBC oferece um curso online de educação financeira para crianças. “Quer dar aos seus filhos a vantagem final? Inscreva-se…”. Este é o ponto de vista final do viajante que, apesar de tudo, diz ver o mundo como um lugar com imensos gestos de bondade. END