Brutal entrevista sobre magia, fraude e medo nos Balcãs
Este interrogatório brutal mergulha no coração de uma crença perigosa que atravessa os Balcãs: a suposta magia que atrai vítimas, fraudes e o custo humano das promessas de cura. Dimitrije Pastuović desmonta mitos, expõe redes de exploração e mostra como o medo pode ser transformado em lucro. Nesta entrevista, ele denuncia atividades que vão desde rituais sombrios até o uso de símbolos religiosos para manipular pessoas vulneráveis. Prepare-se para ouvir relatos que questionam quem lucra quando a fé se transforma em fraude.
In This Article:
- Você afirma de forma muito direta que ‘magia Vlacha’ não existe. Por que você é tão categórico?
- Como você explica o medo que as pessoas sentem quando acreditam que ‘algo foi feito’ com elas?
- Mas muitas pessoas dizem que se sentiram melhores após rituais ou visitas a chamados curandeiros e feiticeiros
- Você descreve essas pessoas como fraudes. Como é, na prática, esse 'desempenho'?
- Como essas pessoas se apresentam ao público?
- As pessoas dirão: ‘Sim, mas eles cobram dinheiro — onde exatamente está a manipulação?’
- Você tem exemplos concretos de abuso—casos específicos, não apenas afirmações gerais?
- Como as vítimas chegam a essas pessoas? Quem as leva até elas?
- Você também mencionou práticas rituais extremamente perturbadoras. O que exatamente as vítimas descreveram para você?
- Você também falou sobre práticas envolvendo cemitérios e água. Do que se trata?
- As práticas da igreja também estão sendo abusadas?
- Quem costuma cair mais na 'magia de amor'?
- O que é, na tua visão, a verdadeira proteção?
- Sua mensagem final?
Você afirma de forma muito direta que ‘magia Vlacha’ não existe. Por que você é tão categórico?
Respondo: digo deliberadamente que não existe para mim. Nenhum cristão ortodoxo deveria acreditar na magia. Se a magia realmente existisse como as pessoas afirmam, eu teria morrido há muito tempo, tendo em vista que falo publicamente contra essas pessoas há anos.
Como você explica o medo que as pessoas sentem quando acreditam que ‘algo foi feito’ com elas?
Esse medo não vem da magia, mas da própria crença. Quando uma pessoa acredita que algo foi feito com ela, ela começa a se destruir. É um processo psicológico, não sobrenatural.
Mas muitas pessoas dizem que se sentiram melhores após rituais ou visitas a chamados curandeiros e feiticeiros
Isso não é magia. Isso é placebo e manipulação. Um grande número dessas pessoas são fraudadores clássicos que sabem como trabalhar com o medo, a dor e o desespero. Por um tempo, alguém pode sentir alívio, mas o problema não é resolvido. É apenas adiado ou piorado.
Você descreve essas pessoas como fraudes. Como é, na prática, esse 'desempenho'?
Vou descrever como é com uma das mais populares. Uma pessoa entra na sala, coloca uma folha de papel na mesa, pega um lápis, e começa a encenar uma 'ascensão astral'. Ele agita as mãos, rebola os olhos, treme como se tivesse convulsão, e ao mesmo tempo toca música espiritual ou religiosa e orações ao fundo — como a oração de Santo Cipriano — para criar a impressão de que isso é algo sagrado, ligado à igreja, algo divino.
Como essas pessoas se apresentam ao público?
Um deles se apresenta como um 'mágico, clarividente, profeta'. Ao redor dele há toda uma história sobre 'répteis', maldições e teorias bizarras, tudo vendido como algum tipo de conhecimento secreto. É um método clássico de criar um mito ao redor de si mesmo: você mistura esoterismo, medo, símbolos religiosos e exposição na mídia — e as pessoas começam a acreditar.
As pessoas dirão: ‘Sim, mas eles cobram dinheiro — onde exatamente está a manipulação?’
Na parte do dinheiro e da forma como é cobrado. Com essa mesma pessoa, o pagamento é feito 'por ícones'. Para clientes locais começa em cerca de 150 euros e sobe. Para clientes do exterior — Chicago, por exemplo — as vítimas me disseram que chega a 600, 800 euros e mais, às vezes milhares, literalmente como o taxímetro. Tudo é preparado através de mensagens — SMS, chats — onde se negociam 'ascensões', pagamentos e rituais.
Você tem exemplos concretos de abuso—casos específicos, não apenas afirmações gerais?
Tenho muitos, muito concretos. Conheço uma mulher que possuía um apartamento de quatro quartos no centro de Belgrado. Ele a convenceu de que o apartamento estava 'amaldiçoado'. Estamos falando de um grande apartamento no centro da cidade. Ele a convenceu a vendê-lo e comprar um estúdio 'para se salvar', para remover a maldição. Agora pense em para onde foi parar a diferença de dinheiro entre um apartamento de quatro quartos e um estúdio.
Como as vítimas chegam a essas pessoas? Quem as leva até elas?
Há uma rede. Existem 'agentes' que levam as pessoas a eles. E eu digo abertamente: esses agentes também são vítimas. Eles não ganham nada, mas são puxados para a história e usados para trazer novas vítimas. É assim que se espalha.
Você também mencionou práticas rituais extremamente perturbadoras. O que exatamente as vítimas descreveram para você?
Vou explicar isto com cuidado. Há uma mulher que afirma que ela 'trabalha com os mortos'. Ela exige que o cliente traga 'sémen' do homem desejado — nem quero explicar como conseguem isso. É então colocado em papel, 'trancado' com um cadeado, enterrado em um lugar, outra coisa enterrada em outro, encantamentos são proferidos, e tudo está ligado ao ciclo lunar: trancado na lua nova, destrancado na lua cheia. Eu conheço muitas vítimas que descreveram esses rituais para mim em detalhes.
Você também falou sobre práticas envolvendo cemitérios e água. Do que se trata?
Ouvi isso de moradores locais. Eles vêm e oferecem ouro em troca de água 'usada para lavar uma pessoa morta'. As pessoas acreditam que essa água pode ser usada para qualquer coisa — magia de amor, dano, conflito, até a morte, dependendo do que pedem. A parte mais horrível é que eles misturam com água benta, com água da Epifania, para parecer sagrada e legítima. Esse é o pior tipo de abuso.
As práticas da igreja também estão sendo abusadas?
Sim. As pessoas disseram-me que certos adivinhos pediram às mulheres que não engolissem a comunhão, mas a trouxessem em um lenço. Essas histórias vêm de pessoas na igreja. O que eles fazem com isso depois, não posso afirmar com absoluta certeza, mas está ligado a cadeados, 'magia de amor' e práticas semelhantes.
Quem costuma cair mais na 'magia de amor'?
Entre os jovens, isso é muito comum. As jovens são especialmente inclinadas a buscar maneiras de 'conseguir o homem que desejam'. E eu sempre digo a elas: mesmo que ‘funcione’, ele não te ama — algo foi imposto nele. Ele não é ele mesmo. E o que isso diz sobre o seu respeito próprio se você precisa fazer isso para ficar com alguém?
O que é, na tua visão, a verdadeira proteção?
Primeiro, não procure espiritualidade nessas pessoas. Se você quer espiritualidade, leia as Escrituras, vá à igreja e trabalhe em si mesmo. Não permita que ninguém te mude pelo medo. E lembre-se: quando falam de 'amor' e 'perdão', isso é apenas uma história. Na prática, eles amam apenas o dinheiro e o controlo.
Sua mensagem final?
Magia não existe. Mas o dano causado por aqueles que afirmam que existe é muito real. E enquanto as pessoas acreditarem nessas mentiras, eles continuarão a ser vítimas.