A descoberta que me fez repensar tudo sobre a morte — o que realmente acontece quando o coração para e o que você verá, revela um neurocirurgião
Dizem que, quando morre, a vida passa diante dos olhos. Embora nunca tenha sido comprovado cientificamente, uma descoberta chocante de um médico sugere que pode não ser pura ficção — e isso o fez repensar tudo o que sabe sobre a morte. O Dr. Ajmal Zemmar e a sua equipa capturaram a primeira gravação de um cérebro humano à beira da morte — e, ao Daily Mail, ele explicou que parece indicar que o órgão estava a reviver momentos memoráveis, em vez de mergulhar na escuridão imediata. A descoberta teve origem num caso não planeado em Vancouver, Canadá, durante a residência de neurocirurgia de Zemmar, em 2022. Um paciente de 87 anos foi submetido com sucesso a uma cirurgia para um hematoma subdural, ou sangramento dentro do crânio, mas teve convulsões discretas no seu último dia no hospital. Como procedimento padrão, aplicou-se uma eletroencefalografia (EEG) no couro cabeludo com eletrodos, enquanto o paciente permanecia conversacional. O aparelho detecta e amplifica as ondas cerebrais, e a atividade neurológica aparece como linhas onduladas na gravação de EEG. Cerca de 20 minutos depois do início do teste, no entanto, o paciente subitamente sofreu uma paragem cardíaca e faleceu. A EEG em curso capturou o que Zemmar descreveu mais tarde como a primeira gravação de uma morte humana naturalmente ocorrida.
In This Article:
- Primeira gravação de um cérebro humano à beira da morte
- Ondas gamma: a chave para entender a memória em momentos de morte
- Conexão entre o fenómeno e relatos de quase‑morte
- Casos adicionais e validação por outros grupo de pesquisa
- Conforto, filosofia e a ideia de que o morrer não é o apagar
- Conclusão: a morte como parte da vida
Primeira gravação de um cérebro humano à beira da morte
Cerca de 900 segundos de registro, desde antes até depois da morte, houve um conjunto de descobertas marcantes. O momento mais impactante ocorreu entre 30 e 60 segundos após o coração ter parado: o cérebro continuou a produzir ondas gamma. As ondas gamma são as frequências mais rápidas associadas ao desempenho mental de pico, incluindo foco intenso, percepção aguçada, aprendizagem, memória e integração de informações complexas. O Dr. Zemmar, agora baseado em Louisville, Kentucky, explicou que as ondas gamma são as mesmas oscilações de alta frequência observadas quando pessoas vivas recordam ou visualizam eventos fortemente memoráveis, como o nascimento de uma criança, um casamento ou uma formatura. "Precisamos repensar a morte", disse o Dr. Zemmar, acrescentando que podemos encontrar conforto ao saber que, quando um ente querido morre, ele não está mais em dor, mas sim revisitando momentos significativos da sua vida. Ele também enfatizou que produzir ondas gamma requer atividade cerebral de alto nível, não algo que ocorre por acaso. "Isso sugere que há alguma atividade coordenada em jogo", observou, acrescentando que a descoberta representa uma "mudança de paradigma" face à ideia de Hollywood de silêncio cerebral instantâneo quando o coração para. O padrão, segundo o Dr. Zemmar, também ofereceu as primeiras evidências neurofisiológicas que apoiam relatos de cerca de 14.000 sobreviventes de experiências de quase‑morte, que descrevem de forma consistente uma recordação de vida durante a morte clínica. Embora tenha sido recebido com cautela inicialmente, por se basear num único caso, Zemmar disse que dois casos adicionais identificados por um grupo de pesquisa separado da Universidade de Michigan desde então confirmaram o mesmo surto de ondas gamma. Em 2023, investigadores encontraram que dois pacientes considerados clinicamente mortos experienciaram explosões súbitas de atividade após serem retirados do suporte de vida — as mesmas ondas gamma observadas por Zemmar. "Há três casos em humanos agora", disse ele. "Não é muito, mas é algo, melhor que nada."
Ondas gamma: a chave para entender a memória em momentos de morte
As ondas gamma são as frequências mais rápidas associadas ao desempenho mental de alto nível, incluindo foco intenso, percepção aguçada, aprendizagem, memória e integração de informações complexas. Para além disso, são as oscilações observadas quando as pessoas recordam memórias vivas ou processam informações de alto conteúdo emocional. Segundo o Dr. Zemmar, as ondas gamma aparecem como parte de uma coordenação neural que permite ao cérebro gerir memórias e experiências em momentos críticos, o que pode explicar a nitidez de certas recordações durante a morte. Este trecho da investigação reforça a ideia de que o cérebro pode manter uma atividade estruturada mesmo quando o corpo parece sucumbir, o que desafia conceções tradicionais sobre o que acontece quando o coração para.
Conexão entre o fenómeno e relatos de quase‑morte
Este achado fornece a primeira evidência neurofisiológica que sustenta relatos de aproximadamente 14.000 sobreviventes de experiências de quase‑morte, que descrevem, de forma consistente, uma recordação de vida durante a morte clínica. A gravação de 900 segundos registou o período anterior, durante e após a morte, com o pico entre 30 e 60 segundos após o coração ter parado. A pesquisa reforça a hipótese de que a mente pode processar memórias complexas num instante de transição extrema, trazendo uma base empírica para relatos que antes eram majoritariamente anedóticos.
Casos adicionais e validação por outros grupo de pesquisa
Embora inicialmente cauteloso por se basear num único caso, Zemmar afirmou que dois casos humanos adicionais identificados por um grupo de pesquisa distinto da Universidade de Michigan confirmaram a mesma explosão de ondas gamma. Em 2023, pesquisadores descobriram que dois pacientes considerados brain-dead (mortos cerebrais) experimentaram bursts de atividade ao serem desligados do suporte de vida, apresentando as mesmas ondas gamma observadas por Zemmar. "Existem três casos em humanos agora", disse ele. "Não é muito, mas é algo, melhor do que nada." Ele sugeriu ainda que o cérebro pode estar biologicamente programado para gerir a transição para a morte, potencialmente orquestrando uma série de eventos fisiológicos e neurológicos, em vez de simplesmente desligar-se instantaneamente.
Conforto, filosofia e a ideia de que o morrer não é o apagar
Zemmar, que já se apoiava na ciência comprovável, reconhece que reduzir a incerteza em relação à morte pode trazer conforto aos moribundos e aos enlutados. Ao evocar os ensinamentos do mestre zen vietnamita Thich Nhat Hanh sobre os "sete corpos", ele observou que apenas o corpo físico parte na morte, enquanto outras dimensões — influência emocional, inspiração e orientação — permanecem. "A pessoa que nos deixa não deixa de interagir e influenciar-nos", afirmou. Para ele, a pesquisa pode ajudar a humanidade a enfrentar uma experiência inevitável com menos medo, abrindo espaço para uma nova forma de pensar sobre a morte. "A Morte afeta cada humano", concluiu. "Se repensarmos a forma como a morte se apresenta e procurarmos conforto e paz com isso, acredito que essas coisas podem ajudar as pessoas a pensar sobre a morte de forma diferente."
Conclusão: a morte como parte da vida
A morte afeta toda a humanidade, e a pesquisa de Zemmar sugere que é possível encarar este destino com menos medo, ao compreender que o cérebro pode manter uma atividade coerente mesmo quando o corpo falha. Se continuarmos a investigar e a partilhar este conhecimento, talvez possamos mudar a forma como as pessoas pensam sobre o fim da vida e encontrar paz e compreensão nesses momentos finais.